PORTUGUÊS PROF: LUCIVANE 8°A e 8°B - 21/05
PORTUGUÊS 8°ANOS 21/05
ATIVIDADE PODE SER IMPRESSA. NÃO PRECISA COPIAR OS TEXTOS.
EXPLICAÇÃO
AUTOBIOGRAFIA ( SOMENTE PARA LEITURA)
Você
sabe a diferença entre Biografia e Autobiografia?
BIO = vida; GRAFIA = escrita. Biografia, portanto,
significa “registro da vida de uma pessoa”, ou seja, uma pessoa narra a vida de
outra.
Na Biografia predomina o uso do pronome da 3ª pessoa
(ele/ela), pois o narrador escreve sobre outra pessoa. Colocamos em uma biografia dados importantes
sobre a vida da pessoa de quem estamos falando.
AUTO = a si
mesmo.
Autobiografia é um relato retrospectivo que a própria
pessoa faz de sua vida, ou seja, o autor-narrador-personagem tem um papel de
destaque nos acontecimentos do passado e do presente. A reconstituição
memorialista, em uma autobiografia, ocorre em dois níveis: o nível dos
acontecimentos e o do seu significado. Quanto à função desse gênero do ponto de
vista de sua recepção, quem tem acesso a uma autobiografia, pode, por meio
dela, identificar-se com as experiências de outra pessoa e, a partir daí
ampliar a percepção que tem de determinado universo cultural, refletir sobre a
realidade à sua volta e sobre si mesma.
No gênero
autobiografia, o autor narra na primeira pessoa do singular ou do plural
(Eu/Nós) acontecimentos que seleciona da sua própria vida, em geral, com o
objetivo de caracterizar sua personalidade.
As
principais marcas identificadas do gênero autobiografia:
a) Quanto a análise do contexto de produção:
·
O protagonista da
história é, obrigatoriamente, o próprio autor;
·
Os textos tentam
mostrar os principais episódios da vida do autor, de forma cronológica. Alguns
dão maior ênfase a determinados períodos ou acontecimentos;
·
Os textos que circulam
pela Internet ou publicados em livros destinam-se a leitores em geral,
sobretudo aos que têm interesse em conhecer melhor a vida de determinadas
pessoas, sejam elas celebridades ou anônimos.
b) Quanto a análise do plano discursivo:
·
As Autobiografias são
textos com marcas de implicação (o autor se mostra no texto).
·
Quanto ao tipo de
discurso, predomina o RELATO, uma vez que discorre sobre fatos reais exposto ao
leitor. Por isso, são textos do tipo predominantemente narrativos.
·
Quanto ao seu plano
global (estrutura geral do texto), as autobiografias podem organizar-se tanto
como um texto longo (no caso de livros que relatam minuciosamente a história/trajetória
do autor), como textos curtos (é o caso de textos autobiográficos que circulam
na Internet, ou textos em que o autor quer apenas mostrar passagens de sua vida
de forma mais objetiva).
c) Quanto a análise das marcas linguísticas, os textos revelam:
·
Uso abundante de pronomes pessoais e possessivos na primeira
pessoa (tanto no singular quanto no plural);
·
Verbos constantemente no Pretérito Perfeito e no Pretérito
Imperfeito, e algumas poucas vezes no Presente;
·
Palavras ou expressões com valor temporal (“há dez anos”, “naquele
tempo”, “naquela época”, “tempo em que”, “um tempo depois”, etc.)
·
Marcadores espaciais / marcadores de lugar: (“era uma região...”,
“naquele lugar...”, “foi o lugar onde...”, etc.)
·
Expressões que funcionam como modalizadores do discurso,
principalmente advérbios modalizadores: provavelmente, certamente, etc. e,
operadores argumentativos: um pouco, apenas, mesmo, etc.
·
Palavras/vocabulários utilizados para identificar objetos da época
citada.
A estrutura de uma autobiografia é:
Introdução Desenvolvimento Fechamento.
Atividade 1
Leia
os textos e responda as questões no caderno:
Texto 01: Autobiografia
Helena Kolody
Nasci no dia 12
de outubro de 1912, no núcleo colonial de Cruz Machado, em pleno sertão
paranaense. Eram 8 horas da manhã de um dia de sol e geada. Meus pais eram
ucranianos, que se conheceram e se casaram no Paraná. Eu sou a primogênita e a
1ª brasileira de minha família. Miguel Kolody, meu pai, nasceu na parte da
Ucrânia chamada Galícia Orienta, em 1881. Tendo perdido o pai na grande
epidemia de cólera que assolou a Ucrânia em 1893, Miguel, no ano seguinte,
emigrou para o Brasil com a mãe e os irmãos. Mamãe, cujo nome de solteira era
Victoria Szandrowska, também nasceu na Galícia Oriental, em 1892. Veio para o
Brasil em 1911. Vovô radicou-se em Cruz Machado, onde papai trabalhava.
"Seu" Miguel conheceu a jovem Victoria e apaixonou-se por ela.
Casaram-se em janeiro de 1912. Estava escrito o primeiro capítulo da minha
história. Cursei a Escola Normal de Curitiba (atual Instituto de Educação do
Paraná), diplomando-me em 1931. Sou uma simples professora normalista e tenho
muito orgulho disso. Escolhi o Magistério levada pelo impulso irresistível da
vocação. A poesia foi um imperativo psicológico. Ao Magistério, dediquei os
melhores anos de minha vida. Lecionei com prazer e entusiasmo. Amei meus alunos
como se fossem meus irmãos, meus filhos. Muitas de minhas melhores amigas de
hoje foram minhas alunas. O Magistério e a poesia são as duas asas do meu
ideal.
Texto 02
Rubem
Alves
Vocês, crianças que leem as minhas estórias,
frequentemente ficam curiosas sobre a minha vida. Eu conto. Eu nasci, faz muito
tempo, no dia 15 de setembro de 1933, numa cidade do sul de Minas, Boa
Esperança (procurem no mapa). Façam as contas para saber quantos anos tenho
agora. Meu pai foi muito rico, perdeu tudo, ficamos pobres, morei numa fazenda
velha. Não tinha nem água, nem luz e nem privada dentro de casa. A água, a
gente tinha de pegar na mina. A luz era de lamparina a querosene. A privada era
uma casinha fora da casa. Casinha do lado de fora. Não precisava de brinquedos.
Havia os cavalos, as vacas, as galinhas, os riachinhos, as pescarias. E eu
gostava de ficar vendo o monjolo. Depois mudei para cidades: Lambari, Três
Corações, Varginha. Me divertia fazendo meus brinquedos. Brinquedo que a gente
compra pronto não tem graça. Enjoa logo. Quantos brinquedos há no seu armário,
esquecidos? Fazer o brinquedo é parte da brincadeira. Foi fazendo brinquedos
que aprendi a usar as ferramentas, martelo, serrote, alicate. Gostava de andar
de carrinho de rolemã. Brincava de soltar papagaio, bolinhas de gude, pião. Fiz
um sinuquinha. Se quiser ler a estória de como fiz o sinuquinha. Como a gente
era pobre nunca tive velocípede ou bicicleta. Ainda hoje não sei andar de
bicicleta. Depois nos mudamos para o Rio de Janeiro onde sofri muito. Os
meninos cariocas caçoavam de mim por causa do meu sotaque de mineiro da roça.
Gostava de ler Gibi e X-9. Nunca fui um bom aluno. Não me interessava pelas
coisas que ensinavam nas escolas. Estudei piano porque queria ser pianista. Mas
eu não tinha talento. Desisti. Pensei ser engenheiro, médico. Li a biografia de
um homem extraordinário, chamado Albert Schweitzer. Ele era filho de um pastor
protestante. Pastor é uma espécie de padre das igrejas protestantes. Schweitzer
desde menino tocava orgão. Foi um especialista na música de Bach e dava
concertos por toda a Europa. Fui ser pastor porque queria cuidar dos
pensamentos e dos sentimentos das pessoas, porque é daí que surgem nossas
ações. Se a gente tem pensamentos bons a gente faz coisas boas. Se tem
pensamentos maus faz coisas ruins. Morei e estudei nos Estados Unidos. Voltei
para o Brasil. Vim morar em Campinas. Fui ser professor numa universidade.
Tenho 3 filhos. O mais velho se chama Sérgio e é médico. O segundo se chama
Marcos, é biólogo. E a Raquel, minha última filha, que vai ser arquiteta. Meu maior
brinquedo hoje é escrever. Adoro escrever. Especialmente estórias para
crianças. Já escrevi mais de trinta. Todas com ilustrações. Meus dois últimos
livros para crianças são O gato que gostava de cenouras e A história dos três
porquinhos (A estória que normalmente se conta não é a verdadeira. Eu escrevi a
verdadeira...). Para mim cada livro é um brinquedo. Sou também psicanalista,
que é um tipo de médico que cuida dos pensamentos e dos sentimentos das
pessoas. Quando os pensamentos e os sentimentos não são cuidados eles podem
ficar doentes. São várias as doenças que podem atacar os pensamentos e os
sentimentos. Aí as pessoas podem ficar mandonas, malvadas, falam sem parar, ou
não falam nunca, têm medo de coisas imaginadas, ficam tímidas, não sabem repartir,
ficam chatas, etc. A psicanálise existe para ajudar as pessoas a ter
sentimentos e pensamentos mansos. Coisas que me dão alegria: ouvir música, ler,
conversar com os amigos, andar nas matas, olhar a natureza, tomar banho de
cachoeira, brincar com as minhas netas (Mariana e Camila, filhas do Sérgio; Ana
Carolina e Rafaela, filhas do Marcos), armar quebra-cabeças, empinar pipas,
cachorros. Fazer os próprios brinquedos e armar quebra–cabeças ajuda a
desenvolver a inteligência. Cuidado com os brinquedos comprado prontos: eles
podem emburrecer!
Texto 03
Autobiografia – Um pouco de minha vida
Meu nome é Felipe Simões Quartero, nasci em 30
de julho de 1981, na cidade de São Bernardo do Campo, estado de São Paulo. Aos
5 anos de idade comecei a apresentar algumas dificuldades físicas relacionadas
a força muscular. Um ano depois, após inúmeros exames, fui diagnosticado como
sendo portador da Distrofia Muscular de Duchenne, deficiência neuromuscular
progressiva, na qual as células musculares sofrem um processo degenerativo
contínuo. Apesar das limitações, que foram crescendo com o passar dos anos,
continuei vivendo normalmente, sempre estudando, fazendo amigos e curtindo a
vida. A deficiência nunca foi motivo para eu desistir de meus objetivos, e
penso ser essa atitude a mais importante e decisiva em minha vida. Aos 11 anos
passei a me locomover "sobre rodas" (com o auxílio de cadeira de
rodas), uma condição nova para mim, a qual logo me adaptei. Em 1999, aos 17
anos, iniciei o curso superior de Ciências da Computação, me formando quatro
anos mais tarde. Atualmente atuo como professor de informática, palestrante e
escritor. Minha biografia não acaba aqui, continua sendo escrita, mas já me
rendeu (e segue rendendo) muitas experiências e histórias para contar, agora é
hora de compartilhá-las com as pessoas. Felipe Simões Quartero.
ATIVIDADES
0 1. O
que você percebeu que há em comum entre os textos?
0 2. Qual
o papel social (profissão) de:
a) Helena Kolody:
b) Rubem Alves:
c) Felipe Simões Quartero:
03. Qual a
Autobiografia que mais lhe chamou a atenção? Por quê?
04. Você
conhece outras autobiografias, além dessas de Rubem Alves e Helena Kolody e
Felipe Simões Quartero? Quais?
05. Localize
nos textos:
|
|
Texto
01
|
Texto
02
|
Texto 03
|
Nome completo da pessoa autobiografada
|
|
|
|
Local e data de nascimento
|
|
|
|
Fatos e feitos mais importantes
|
|
|
|
Trabalhos que já teve
|
|
|
|
Onde morou ou mora
|
|
|
|
06. Depois de
ler as três autobiografias, que traços você considerou mais importantes na
personalidade de cada um dos autobiografados?
07. Volte ao
texto 3, e com a ajuda do dicionário, encontre o significado das seguintes
expressões:
a)
Locomover:
b)
Limitações:
c)
Auxílio:
d)
Diagnosticado:
e)
Portador:
f)
Degenerativo:
08.
Observe essas mesmas palavras no texto. Você julga
possível substituí-las pelo significado atribuído pelo dicionário, sem alterar
o sentido do texto? A que conclusão você chega?
09. Volte aos
textos e observe: a que tempo os autores se reportam para falar de sua vida?
a) ( ) Presente b) ( ) Pretérito / Passado c) ( ) Futuro
10. Por que
será que os autores optam por esse tempo verbal?


Comentários
Postar um comentário