ED. FÍSICA PROF: MAÍRA 6°A, 6°B e 6°C - 06/05
Educação Física- 6º ANOS 06/05
Atividade: Leia o texto e faça um resumo em seu caderno
Box
no Brasil
A introdução
No início do século
XX, o boxe era praticamente desconhecido no Brasil. Os poucos praticantes
existentes na época, eram emigrantes alemães e italianos, localizados nos
estados do Rio Grande do Sul e São Paulo.
A primeira luta
realizada no Brasil foi em 1913, na cidade de São Paulo, entre um pequeno
ex-boxeador profissional que fazia parte de uma companhia de ópera francesa e o
atleta Luis Sucupira, conhecido como o Apolo Brasileiro, em razão de seu físico
avantajado. Embora surrado, Apolo reconheceu que a técnica pode superar a força
e tornou-se um grande entusiasta do boxe e seu primeiro grande divulgador.
Apesar de Apolo ter
começado a divulgar o boxe, em 1919 através do marinheiro Góes Neto, que havia
aprendido técnicas de boxe na Europa, que o esporte foi divulgado de verdade e
reconhecido. Após retornar de viagem ao Brasil, Góes Neto resolveu fazer
algumas exibições no Rio de Janeiro, onde, o sobrinho do Presidente da
República, Rodrigues Alves, se apaixonou pelo boxe. Com o apoio de Rodrigues
Alves, a difusão do boxe ficou mais fácil. Neste período, foram criadas academias
e não demorou muito para o boxe ser um esporte regulamentado, com a criação das
“comissões municipais de boxe” em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Isso tudo
entre os anos de 1920 e 1921.
Ditão – O primeiro
pugilista brasileiro
Em 1922 o Brasil teve
seu primeiro pugilista a ganhar destaque. Benedito dos Santos, conhecido como
Ditão, começou a treinar boxe numa academia de São Paulo. Era um negro de porte
gigantesco com enorme talento para o boxe e detentor de um direto potente.
No início de 1923 estreando
como profissional, derrotou sem nenhuma dificuldade seus três primeiros
adversários, todos no primeiro round.
O destaque do
pugilista logo despertou o assédio dos empresários. Foi então organizada uma
luta (foto abertura) entre Ditão e o campeão europeu Hermínio Spalla,
pugilista italiano que tinha um cartel com mais de 60 lutas. Ditão começou o
combate derrubando Spalla no primeiro round, porém, o campeão europeu massacrou
o lutador brasileiro no decorrer da luta e Ditão além de ter sido derrotado
acabou sofrendo um derrame, do qual encerrou a sua carreira para o resto de sua
vida.
Com este episódio, o
boxe brasileiro foi duramente criticado e passou a ser proibido até meados de
1925.
O clube Espéria
Com a revogação da
proibição do boxe no Brasil, o primeiro clube a receber lutas de boxe foi o
Espéria, na cidade de São Paulo. Começava a primeira época áurea do boxe no
país, tendo inclusive a criação de uma espécie de ranking, algo até então
inexistente, e uma nova cultura de treinos. Eis que surgem os primeiros grandes
treinadores de boxe brasileiro, Batista Bertagnolli e Celestino Caversazio. No
Espéria, organizaram uma escola de formação, que traria grandes consagrações
para o esporte nos anos seguintes.
A profissionalização
do boxe brasileiro
Com a revolução de
1932, conhecida como “A Revolução de 32”, tudo havia ficado paralisado. O
acontecimento marcante desse período foi a criação das federações de boxe
regionais, das quais, se deu condições aos boxeadores profissionais brasileiros
disputarem oficialmente títulos internacionais e aos amadores poderem
participar de torneios e campeonatos estrangeiros.
Em 1933, o Brasil,
pela primeira vez, participou de um campeonato internacional, o Sul-Americano
de Boxe Amador, realizado na Argentina. A seleção brasileira era composta
apenas de cariocas, pois, somente no Rio de Janeiro, o boxe era legalizado
através de federação. Na década de 1930, surgiram alguns lutadores de destaque,
entre eles, Ítalo Hugo, chamado de “Menino de Ouro”.
Década de 1940 – o
ginásio do Pacaembu
Criado em 1940, o
ginásio do Pacaembu foi palco de grandes lutas. Pela primeira vez, podiam-se
ver lutas de brasileiros com nível verdadeiramente internacional. Os mais
destacados deles foram: Atílio Lofredo e Antônio Zumbano (“Zumbanão”), como era
conhecido.
Zumbanão foi o
primeiro grande astro do boxe brasileiro, imperando absoluto por um longo
período, de 1936 a 1950, no qual realizou cerca de 140 lutas, dos quais metade
delas venceu por nocaute. Era um peso médio de grande poder de punch e
capacidade de esquiva, arrastava multidões ao ginásio do Pacaembu por ser um
ídolo.
Década de 1950 – O
grande momento do boxe brasileiro
Na foto acima,
Claudio de Barros cantando para Kid Jofre (de camisa branca e olhando para
Claudio Toneli Boxeur), Gibi, Luizão, Ralf Zumbano (à direita da foto, de calça
comprida e sem camisa) e Éder Jofre (abaixado), então no começo da carreira.
A década de 1950 foi
marcada pelo importante crescimento popular do boxe e por revelar grandes
boxeadores. Entre eles, nomes como o de Kaled Curi, Luisão, Ralf Zumbano e o
grande Éder Jofre, o maior boxeador da história do boxe brasileiro.
Nesta época Éder
Jofre participou dos Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália, em 1956, o que
fez ele despontar no boxe profissional. Apesar de não trazer nenhuma medalha
das olimpíadas, Jofre foi responsável por vários títulos importantes. Destaque
para o brasileiro dos pesos-galo, em 1958. Porém, o auge de títulos
conquistados por Éder Jofre seria na década de 1960 que é para onde vamos
viajar no próximo capítulo.
Décadas de 1960 e
1970 – A lenda Éder Jofre.
Depois de conseguir
ficar entre os dez primeiros colocados do ranking da antiga NBA, atual
Associação Mundial de Boxe (WBA), em 1960, Éder Jofre teve a oportunidade de
disputar o título mundial contra o mexicano Eloy Sanchez. Sagrou-se campeão
mundial e mais adiante, em 1962, Jofre enfrentou o campeão da União Européia de
Boxe. A luta valia a liderança do ranking da categoria galo. Éder Jofre
derrotou o adversário irlandês, no Ibirapuera, em São Paulo, tornando-se o
número 1 da categoria.
Jofre manteve seu
cinturão até 1965, quando então foi derrotado duas vezes pelo maior boxeador
japonês de todos os tempos, Masahiko “Fighting” Harada, o que fez com que ele
se afastasse dos ringues aos 30 anos de idade.
Cinco anos mais
tarde, já na década de 1970, Jofre retornou aos ringues, porém, na categoria
pena, voltou a ser campeão mundial pelo Conselho Mundial de Boxe em
1973. Despediu-se definitivamente dos ringues em 1976 com um fantástico
cartel de 78 lutas e apenas 2 derrotas.
Nos anos 60 e 70,
outros lutadores se destacaram. Entre eles o médio-ligeiro Miguel de Oliveira,
campeão mundial pelo Conselho Mundial de Boxe em 1975 e o peso Mosca Servílio
de Oliveira, um dos poucos boxeadores brasileiros a conquistar uma medalha
olímpica, nos Jogos da Cidade do México em 1968.
Década de 1980 –
Surge Maguila
No início da década
de 1980, pela primeira vez no Brasil, uma rede de Televisão (TV Bandeirantes),
por iniciativa de seu diretor de esportes, na época, Luciano do Valle, do qual
também atuava como promotor de eventos esportivos, resolveu investir pesado no
boxe, transformando-o em um espetáculo de massa.
Com 1,86 metros e
cerca de 100 Kg, Maguila foi um dos poucos pesos pesados brasileiros. Tendo
enorme carisma aliado à grande valentia, mobilidade e uma direita demolidora
que lhe propiciou nada menos do que 78 nocautes em sua carreira de 87 lutas, a
maioria contra lutadores europeus, sul-americanos e norte-americanos.
Maguila estreou como
profissional em 1983, tendo Ralph Zumbano como técnico e Kaled Curi como
empresário. Em 1986, já no auge da fama, assinou contrato com a Luque, empresa
do jornalista Luciano do Vale, passando a treinar com Miguel de Oliveira, do
qual, alterou profundamente seu estilo de luta e corrigiu seus defeitos de
defesa. Como consequência, em 1989, chegou a ser o segundo colocado no ranking
do CMB e em rota de colisão com Mike Tyson, na época, o undisputed champion do
mundo. Enfrentou dois dos maiores pesados do século XX, Evander Holyfield
e George Foreman. Perdeu as duas lutas e isso lhe tirou não só a chance de
disputar o título como praticamente encerrou sua carreira. Em 1995, chegou a
campeão mundial pela WBF (Federação Mundial de Boxe), uma associação que ainda
não havia conseguido grande respeitabilidade. Com falta de patrocínio, Maguila
foi destituído do título por inatividade.
Década de 1990 em
diante – Acelino Freitas, o Popó
No final da década de
1990, vindo de uma família pobre da periferia da capital baiana, Acelino
Freitas, conhecido como Popó, iniciou sua carreira profissional em 1995, porém,
só despontou no cenário internacional em 1999, conquistando o título dos
Super-Pena pela WBO.
Em 2002, unificou o
título de Super-Pena pela WBA. Em 2004, Popó subiu de categoria, conquistando o
título dos Pesos-Leves pela WBO. Em 30 de abril de 2006, após perder o cinturão
para o norte-americano Diego Corrales, reconquistou o mesmo título pela WBO dos
Pesos-Leves. Em abril de 2007, Popó perdeu sua segunda luta para o
norte-americano Juan Diaz.
Encerrou sua carreira
vitoriosa, em 28 de abril de 2008. No boxe profissional, conseguiu uma
sequência histórica de 29 vitórias seguidas por nocaute. Ao todo, foram 40
lutas com 38 vitórias e apenas duas derrotas.
No boxe amador, Popó
teve um cartel de 81 lutas perdendo apenas três vezes.
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